Leilão de baterias: as regras do edital, o calendário e o que o FAQ do ONS esclarece

Resposta rápida: a ANEEL aprovou em 27 de outubro os editais dos dois leilões de baterias. O Leilão 05/2026, em 2 de dezembro, exige nacionalização pelo CFI do BNDES e tem teto de R$ 1,76 milhão por MW ao ano. O Leilão 06/2026, em 4 de dezembro, não tem essa exigência e o teto é de R$ 1,58 milhão. A inscrição vai de 18 a 20 de novembro. O FAQ do ONS avisa que a habilitação no leilão não substitui o processo de acesso à rede.
O que o edital definiu
Os dois certames contratam potência de sistemas de armazenamento (SAE), com contratos de 15 anos e suprimento a partir de 1º de agosto de 2028. A remuneração é uma receita fixa anual, paga em 12 parcelas, e cai quando o desempenho operativo fica abaixo do contratado.
Os números principais, segundo a pv magazine Brasil e o Canal Solar:
- Preço-teto: R$ 1,76 milhão por MW ao ano com conteúdo nacional e R$ 1,58 milhão sem.
- Investimento de referência: caiu de R$ 9,8 milhões para R$ 6 milhões por MW.
- Garantias: R$ 60 mil por MW na proposta e R$ 600 mil por MW no fiel cumprimento.
- Patrimônio líquido mínimo: R$ 600 mil por MW, com verificação cumulativa para quem vencer os dois leilões.
- Operação: potência contratada por 4 horas em cada ciclo, até 2 ciclos por dia e 366 por ano.
- Recarga e eficiência: recarga completa em até 6 horas e eficiência de ida e volta de pelo menos 85%.
- Colocalização: vedada no certame. Infraestrutura compartilhada é permitida, com contratos e medição individualizados.
- Consórcios: permitidos entre empresas do mesmo grupo econômico.
O MME fixou disponibilidade mínima de 30 MW e exige grid-forming. A Portaria 136/2026 prevê a desclassificação de quem não atender aos requisitos mínimos de conexão.
Calendário do Leilão 05/2026
Datas publicadas na página do BNDES sobre o LRCAP 2026, que reproduz o cronograma da ANEEL:
- 16 de novembro: treinamento.
- 18 a 20 de novembro: inscrição.
- 18 a 23 de novembro: aporte das garantias de proposta.
- 26 de novembro: simulação.
- 2 de dezembro: sessão do leilão, pela internet.
- 18 de dezembro: entrega dos documentos de habilitação na CCEE.
- 1º de abril de 2027: homologação e adjudicação.
- 7 de maio de 2027: entrega prevista do certificado de conformidade do BNDES.
- 21 de maio de 2027: data estimada da outorga.
O que o FAQ do ONS esclarece
O ONS publicou em outubro um FAQ sobre SAE e LRCAP, com 14 perguntas. O documento é informativo e não altera edital, regulação ou Procedimentos de Rede. Cinco respostas pesam mais na decisão de quem vai disputar.
Habilitar não é ter acesso. A habilitação técnica é feita pela EPE. Depois dela, o empreendedor ainda precisa cumprir a Temporada de Acesso, aportar garantias, obter o Diagnóstico Prévio de Acesso, assinar o contrato de uso e apresentar os estudos elétricos para o Parecer de Acesso. Vencedores terão uma rota específica nas Temporadas de Acesso a partir de 2027, sem passar por todas as etapas.
O teste técnico vem depois do leilão. Os requisitos da nota técnica ONS/EPE são avaliados na solicitação de acesso, nos estudos pré-operacionais ou no comissionamento. Um projeto pode vencer e descobrir a pendência mais tarde.
Limitação própria não livra de penalidade. Se a instalação do agente impedir a entrega da potência, valem as regras de desempenho e as penalidades do contrato. O dimensionamento é risco do empreendedor.
Grid-forming consome energia e entra na conta. A energia para manter essa função precisa estar no balanço energético. O ONS atribui ao agente a gestão do estado de carga, das perdas e dos consumos auxiliares, e o projeto deve atender ao mesmo tempo ao desempenho dinâmico e à potência contratada.
Capacidade remanescente não é garantia. Uma subestação com margem nos documentos do ONS não assegura acesso. Já mostramos onde ainda cabe bateria na rede, e essa leitura continua sendo o primeiro filtro, não o último.
Onde o EMS aparece nas regras
Na cobertura do edital e no FAQ não encontramos uma exigência específica de EMS. Quem nomeia o EMS é o regulamento setorial do BNDES, que vale para o Leilão 05/2026.
O regulamento divide o SAE em oito componentes e marca quatro como estratégicos: o pack de baterias, o EMS, o firmware e software do EMS e o inversor. Até 31 de dezembro de 2027 há quatro rotas de credenciamento, que combinam o nível da bateria com a quantidade de componentes credenciados.
A escolha do EMS afeta, portanto, duas contas ao mesmo tempo. Na regulatória, um EMS credenciado pode contar como componente na rota do SAE. Na operacional, é a camada de controle que precisa cuidar do estado de carga, coordenar controles e proteções e cumprir os comandos do ONS que o FAQ atribui ao agente.
O que ainda pode mudar
- Quem paga. O edital mantém o custo com os geradores, e o rateio está na Consulta Pública 37/2026, com contribuições até 6 de novembro. Explicamos a disputa em quem paga pelas baterias.
- A data. O PL 3.716/2026 teve urgência aprovada em 13 de outubro. Segundo o ClimaInfo, o diretor-geral da ANEEL disse que, se a lei mudar, a agência terá de alterar o edital e adiar o leilão.
- A concorrência. O mesmo levantamento cita mais de 6 mil projetos cadastrados, somando 297 GW.
O que fazer até 18 de novembro
- Confirmar a rota de credenciamento do SAE e quais componentes já têm código CFI. O BNDES trata o credenciamento como condição para o contrato e para a operação comercial.
- Modelar o grid-forming no balanço energético, com reserva de estado de carga, perdas e consumo auxiliar, antes de fechar o preço do lance.
- Levar o acesso à rede para o cronograma, com Temporada de Acesso e estudos, em vez de tratar como etapa posterior.
- Fechar a especificação de controle com o fornecedor antes do aporte das garantias, que abre em 18 de novembro.
Onde a STEMIS entra
O EMS da STEMIS tem o código CFI 04400903 e pode entrar como componente estratégico credenciado nas rotas 1 e 2. A página do BNDES também lista a STEMIS entre os quatro fornecedores de EMS no item de desenvolvimento de software e firmware, tema que detalhamos em o software do EMS como item estratégico.
Para integradores, a conversa útil agora é a especificação do STEMIS Grid Control dentro do SAE, antes da inscrição.
Perguntas frequentes
Quando são os leilões de baterias?
O Leilão 05/2026, com conteúdo nacional, é em 2 de dezembro de 2026. O Leilão 06/2026, sem essa exigência, é em 4 de dezembro. Os dois dependem de a lei de custeio não mudar antes, já que o PL 3.716/2026 pode levar a um adiamento.
Qual o preço-teto do leilão de baterias?
R$ 1,76 milhão por MW ao ano no Leilão 05/2026 e R$ 1,58 milhão por MW ao ano no Leilão 06/2026.
Vencer o leilão garante a conexão à rede?
Não. Segundo o FAQ do ONS, a habilitação não substitui a Temporada de Acesso, os estudos elétricos, o Parecer de Acesso e o contrato de uso da rede.
O edital exige EMS?
Não encontramos essa exigência específica na cobertura do edital. O EMS e seu firmware e software aparecem como itens estratégicos no regulamento do BNDES, que define a nacionalização do Leilão 05/2026.
Bateria colocalizada pode participar?
Não nestes certames, segundo a cobertura do edital. O compartilhamento de infraestrutura é aceito com contratos e medição individualizados.
Vai disputar o leilão? Veja o EMS credenciado da STEMIS antes de fechar a especificação.
Referências
- ONS: Perguntas frequentes sobre SAE e LRCAP (outubro de 2026), via Canal Solar
- BNDES: Leilão de Reserva de Capacidade LRCAP 2026
- BNDES: Regulamento Setorial de Sistemas Estacionários de Armazenamento
- DOU: Resolução Homologatória ANEEL nº 3.616, de 27 de outubro de 2026
- MME: Portaria Normativa nº 136/2026
- EPE: Revisão da nota técnica de requisitos mínimos (22/10/2026)
- pv magazine Brasil: Leilões de baterias têm preço-teto de R$ 1,76 milhão/MW.ano (28/10/2026)
- Canal Solar: Baterias terão leilões com contratos de 15 anos (28/10/2026)
- ClimaInfo: ANEEL flexibiliza edital e amplia disputa (29/10/2026)

