Prova da ANAC para piloto de drone: o que cobrar de quem inspeciona sua usina solar

Resposta rápida: a partir de 1º de janeiro de 2027, todo piloto remoto coberto pelo RBAC 100 precisa estar aprovado no exame teórico da ANAC. Drones de até 250 g em voo visual e até 120 m ficam fora da regra, mas esse não é o caso dos drones comuns de termografia. Para quem contrata inspeção, a prova virou mais um item a pedir ao prestador, ao lado do seguro, do cadastro da aeronave e da avaliação de risco.
O que mudou
A ANAC publicou o RBAC 100 em 16 de junho de 2026, pela Resolução 805. Ele substitui o RBAC-E 94 e troca a classificação por peso por três categorias de risco.
O item 100.13(b) do RBAC 100 exige aprovação no exame teórico da ANAC para todo piloto remoto. A Resolução 805 dispensou esse item até 31 de dezembro de 2026, e não encontramos prorrogação até a publicação deste texto.
A ANAC informa que a prova é online, no Portal de Capacitação, com 20 questões sobre o RBAC 100, espaço aéreo, risco e operação de drones. A agência diz que a aprovação é obrigatória em todas as categorias.
Em qual categoria fica o voo na usina
A categoria depende da operação, não do modelo do drone.
- Aberta: até 25 kg, voo em linha de visada visual (VLOS) ou estendida (EVLOS), até 120 m de altura, em áreas distantes de terceiros.
- Específica: o que foge da aberta. Exige cenário padrão definido pela ANAC ou autorização operacional depois de uma avaliação de risco.
- Certificada: maior risco, com certificação de aeronave, operador e piloto.
Uma inspeção termográfica comum, em voo visual e sobre área privada, tende a caber na categoria aberta. Voo além da linha de visada, ou com drone automatizado em base fixa, pede análise caso a caso.
Quem já tinha operação autorizada pela ANAC até 15 de junho de 2026 tem dois anos para obter a autorização operacional, segundo a Resolução 805.
Sua equipe no chão também entra na regra
Na categoria aberta, o drone não pode chegar a menos de 30 m na horizontal de pessoas não envolvidas e não anuentes, salvo com barreira mecânica adequada.
Anuente é a pessoa que não é necessária para o voo e aceita expressamente, por sua conta e risco, a operação perto dela. Um técnico de O&M trabalhando nas fileiras não faz parte da operação do drone. Por isso, combine antes do voo se a equipe sai da área ou se formaliza a anuência.
O que pedir ao prestador
O RBAC 100 fala com o piloto e o operador, não com o dono da usina. Ainda assim, um voo irregular dentro da sua planta vira problema seu, com risco de atraso no serviço e discussão de seguro. Cinco itens resolvem a maior parte.
- Comprovante de aprovação no exame de cada piloto que vai voar a partir de janeiro, com o nome da pessoa, não só da empresa.
- Cadastro da aeronave na ANAC. O cadastro vincula o drone a uma pessoa e vale por 24 meses, então confira a validade.
- Apólice com cobertura de danos a terceiros. O item 100.37 exige seguro em todas as operações sob o regulamento, com poucas exceções que não incluem inspeção comercial.
- Avaliação de risco operacional atualizada nos últimos 12 meses. Ela é facultativa quando o voo ocorre a mais de 150 m de pessoas não envolvidas e não anuentes, ou com barreira adequada.
- Categoria declarada da operação. Se for específica, peça a autorização ou o cenário padrão usado.
Vale incluir esses itens no contrato e na ordem de serviço de 2027, para que a cobrança não dependa da memória de quem acompanha o voo.
A prova não mede a qualidade da termografia
Passar no exame mostra que o piloto conhece as regras de voo. Não mostra que ele sabe coletar uma imagem térmica útil. São duas exigências separadas, e o contrato precisa cobrar as duas.
A qualidade depende de irradiância, ângulo, resolução da câmera e método de classificação. Tratamos desses pontos em como priorizar hotspots na termografia e no relatório IEC 62446 de comissionamento.
A exigência nova também pode pesar no preço. Se você está orçando o serviço, veja quanto custa a inspeção com drone e compare o que cada proposta inclui.
Onde a STEMIS entra
O ZenVision é a plataforma de inspeção termográfica com IA da STEMIS. Ele transforma as imagens do voo em anomalias classificadas e localizadas, com relatório para a equipe de O&M agir.
Perguntas frequentes
Quem precisa fazer a prova da ANAC?
Todo piloto remoto coberto pelo RBAC 100, de uso recreativo ou profissional. Ficam fora do regulamento os drones de até 250 g e os aeromodelos recreativos, desde que voem até 120 m e em linha de visada ou com observador.
Até quando vale a dispensa da prova?
Até 31 de dezembro de 2026, pelo parágrafo único do artigo 2º da Resolução ANAC 805.
Como é a prova teórica da ANAC?
É online, no Portal de Capacitação da ANAC, com 20 questões sobre o RBAC 100, espaço aéreo, risco e operação de drones. As inscrições abriram em 16 de junho de 2026.
Inspeção com drone em usina solar precisa de seguro?
Sim. O RBAC 100 exige seguro com cobertura de danos a terceiros em todas as operações sob o regulamento, com exceções para entidades controladas pelo Estado e para aplicação de agrotóxicos em certas condições.
A prova substitui a qualificação em termografia?
Não. O exame trata de regras e segurança de voo. A qualidade da inspeção depende de método, equipamento e análise das imagens.
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