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ArtigoGrid Control

Corte remoto na geração distribuída: o que ANEEL e ONS estão propondo

·6 min de leitura
Vista aérea de telhado comercial com módulos solares

Resposta rápida: duas frentes avançam ao mesmo tempo, e nenhuma é regra definitiva. A área técnica da ANEEL recomendou estender de 12 para 24 meses um teste do ONS com cortes de até 100% da micro e minigeração distribuída em cinco distribuidoras, sem ressarcimento. E a Consulta Pública 033/2026, aberta até 9 de novembro, propõe requisitos de monitoramento e resposta a comandos no Módulo 3 do PRODIST.

Frente 1: o teste do ONS com cortes na MMGD

O ONS propôs à ANEEL um sandbox para testar a gestão em tempo real de recursos distribuídos, com foco na geração solar de micro e minigeração (MMGD). A proposta inicial previa 12 meses de teste, com início em até 120 dias após a resolução autorizativa da ANEEL.

Segundo o Portal Energia Limpa, a área técnica da agência recomendou agora ampliar o prazo para 24 meses. Os pontos da minuta:

  • Áreas: Cemig-D, Copel, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso e Neoenergia Elektro.
  • Adesão: obrigatória para os geradores elegíveis nessas áreas.
  • Mecanismo: o ONS ordena e as distribuidoras reduzem a injeção, no planejamento e em tempo real.
  • Intensidade: cortes de até 100% da geração, com suspensão integral em casos excepcionais.
  • Critérios: localização, sobretensões registradas, capacidade de resposta e limites da rede local.
  • Compensação: nenhuma. O corte ocorre antes da formação de créditos no sistema de compensação.
  • Adequações: cada agente paga as próprias.

A diretoria da ANEEL ainda vai decidir sobre a minuta e sobre a abertura de consulta pública de 45 dias. Até lá, nada disso vale. As rotinas operacionais também ainda precisam ser escritas, e a fonte não informa uma faixa de potência para os participantes.

Frente 2: a revisão do Módulo 3 do PRODIST

A Consulta Pública 033/2026 recebe contribuições até 9 de novembro. Ela troca as regras por tecnologia por uma abordagem de recursos energéticos distribuídos (REDs), que reúne geração, baterias, veículos elétricos e cargas controláveis e olha o efeito de cada um no ponto de conexão.

Pela leitura da GreenGold Engenharia, a proposta organiza os requisitos em três blocos, proporcionais ao porte de cada recurso:

  • Monitoramento, comunicação e resposta a comandos da distribuidora.
  • Proteção e qualidade de energia.
  • Controle da potência injetada, com estratégia de limitação e medidor de referência descritos em memorial.

A proposta define funções, não marcas nem equipamentos. A mesma análise aponta que incluir baterias em uma instalação já conectada reabre o parecer de acesso, que passa a seguir a regra vigente na data do novo protocolo. Esse ponto merece atenção de quem planeja retrofit.

Por que as duas frentes importam juntas

O sandbox testa o comando na operação. O Módulo 3 define o que uma instalação precisa ter para receber esse comando. Se as duas avançarem, a capacidade de limitar potência e reportar medição sai do campo opcional para virar parte do projeto.

Há um impacto financeiro direto. Uma análise de GD que conta toda a energia gerada como crédito ou consumo deixa de valer nas áreas e nos horários com corte sem ressarcimento. O tamanho desse efeito ainda não é conhecido.

Os textos que consultamos não tratam de instalações com injeção zero. Quem opera grid zero não deve assumir que está fora da discussão nem que está dentro, porque baterias e cargas controláveis também entram como REDs.

O que fazer agora

  1. Verifique se a usina está em uma das cinco áreas e qual a concentração de GD no alimentador. Sobretensão registrada é um dos critérios citados, e já explicamos como a inversão de fluxo aparece na rede.
  2. Faça um inventário do que responde a comando. Liste modelo de inversor, protocolo, comunicação disponível e medidor no ponto de conexão.
  3. Inclua a infraestrutura em projetos novos. Eletrodutos, pontos de rede e alimentação ininterrupta são mais simples de prever na obra do que de instalar depois.
  4. Rode um cenário de sensibilidade. Teste a viabilidade de projetos de GD com perda de geração sem compensação.
  5. Reavalie o retrofit de baterias à luz do parecer de acesso. O ganho de peak shaving precisa ser comparado com o risco de reabrir o processo.
  6. Mande contribuição até 9 de novembro se sua operação depende desse texto. O endereço é [email protected].

Onde a STEMIS entra

O protocolo de comando ainda não foi definido, então nenhum equipamento pode se dizer pronto para o sandbox. O que dá para fazer hoje é ter controle local no ponto de conexão.

O STEMIS Grid Control é um EMS embarcado, compatível com inversores de várias marcas, que limita a injeção e coordena geração, bateria e carga a partir da medição no ponto de conexão. O STEMIS Grid Monitor guarda o histórico de potência, alarmes e disponibilidade, útil para mostrar o que a usina fez e quando.

Perguntas frequentes

A ANEEL já aprovou o corte da geração distribuída?

Não. A recomendação da área técnica ainda depende da diretoria da ANEEL, que também vai avaliar a abertura de consulta pública de 45 dias.

Quais distribuidoras estão no sandbox do ONS?

Cemig-D, Copel, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso e Neoenergia Elektro.

Quem tiver a geração cortada recebe compensação?

Pela minuta descrita na imprensa, não. Os participantes não recebem ressarcimento, e o corte ocorre antes da formação de créditos.

O que é a Consulta Pública 033/2026?

É a revisão do Módulo 3 do PRODIST proposta pela ANEEL, com requisitos para recursos energéticos distribuídos. As contribuições vão até 9 de novembro de 2026.

Colocar bateria em uma usina já conectada muda algo?

Pela análise da GreenGold sobre a proposta, a inclusão reabre o parecer de acesso, que passa a seguir a regra vigente no novo protocolo. Confira o texto final antes de decidir.

Quer saber o que sua instalação já consegue controlar hoje? Conheça o STEMIS Grid Control.

Referências