Corte remoto na geração distribuída: o que ANEEL e ONS estão propondo

Resposta rápida: duas frentes avançam ao mesmo tempo, e nenhuma é regra definitiva. A área técnica da ANEEL recomendou estender de 12 para 24 meses um teste do ONS com cortes de até 100% da micro e minigeração distribuída em cinco distribuidoras, sem ressarcimento. E a Consulta Pública 033/2026, aberta até 9 de novembro, propõe requisitos de monitoramento e resposta a comandos no Módulo 3 do PRODIST.
Frente 1: o teste do ONS com cortes na MMGD
O ONS propôs à ANEEL um sandbox para testar a gestão em tempo real de recursos distribuídos, com foco na geração solar de micro e minigeração (MMGD). A proposta inicial previa 12 meses de teste, com início em até 120 dias após a resolução autorizativa da ANEEL.
Segundo o Portal Energia Limpa, a área técnica da agência recomendou agora ampliar o prazo para 24 meses. Os pontos da minuta:
- Áreas: Cemig-D, Copel, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso e Neoenergia Elektro.
- Adesão: obrigatória para os geradores elegíveis nessas áreas.
- Mecanismo: o ONS ordena e as distribuidoras reduzem a injeção, no planejamento e em tempo real.
- Intensidade: cortes de até 100% da geração, com suspensão integral em casos excepcionais.
- Critérios: localização, sobretensões registradas, capacidade de resposta e limites da rede local.
- Compensação: nenhuma. O corte ocorre antes da formação de créditos no sistema de compensação.
- Adequações: cada agente paga as próprias.
A diretoria da ANEEL ainda vai decidir sobre a minuta e sobre a abertura de consulta pública de 45 dias. Até lá, nada disso vale. As rotinas operacionais também ainda precisam ser escritas, e a fonte não informa uma faixa de potência para os participantes.
Frente 2: a revisão do Módulo 3 do PRODIST
A Consulta Pública 033/2026 recebe contribuições até 9 de novembro. Ela troca as regras por tecnologia por uma abordagem de recursos energéticos distribuídos (REDs), que reúne geração, baterias, veículos elétricos e cargas controláveis e olha o efeito de cada um no ponto de conexão.
Pela leitura da GreenGold Engenharia, a proposta organiza os requisitos em três blocos, proporcionais ao porte de cada recurso:
- Monitoramento, comunicação e resposta a comandos da distribuidora.
- Proteção e qualidade de energia.
- Controle da potência injetada, com estratégia de limitação e medidor de referência descritos em memorial.
A proposta define funções, não marcas nem equipamentos. A mesma análise aponta que incluir baterias em uma instalação já conectada reabre o parecer de acesso, que passa a seguir a regra vigente na data do novo protocolo. Esse ponto merece atenção de quem planeja retrofit.
Por que as duas frentes importam juntas
O sandbox testa o comando na operação. O Módulo 3 define o que uma instalação precisa ter para receber esse comando. Se as duas avançarem, a capacidade de limitar potência e reportar medição sai do campo opcional para virar parte do projeto.
Há um impacto financeiro direto. Uma análise de GD que conta toda a energia gerada como crédito ou consumo deixa de valer nas áreas e nos horários com corte sem ressarcimento. O tamanho desse efeito ainda não é conhecido.
Os textos que consultamos não tratam de instalações com injeção zero. Quem opera grid zero não deve assumir que está fora da discussão nem que está dentro, porque baterias e cargas controláveis também entram como REDs.
O que fazer agora
- Verifique se a usina está em uma das cinco áreas e qual a concentração de GD no alimentador. Sobretensão registrada é um dos critérios citados, e já explicamos como a inversão de fluxo aparece na rede.
- Faça um inventário do que responde a comando. Liste modelo de inversor, protocolo, comunicação disponível e medidor no ponto de conexão.
- Inclua a infraestrutura em projetos novos. Eletrodutos, pontos de rede e alimentação ininterrupta são mais simples de prever na obra do que de instalar depois.
- Rode um cenário de sensibilidade. Teste a viabilidade de projetos de GD com perda de geração sem compensação.
- Reavalie o retrofit de baterias à luz do parecer de acesso. O ganho de peak shaving precisa ser comparado com o risco de reabrir o processo.
- Mande contribuição até 9 de novembro se sua operação depende desse texto. O endereço é [email protected].
Onde a STEMIS entra
O protocolo de comando ainda não foi definido, então nenhum equipamento pode se dizer pronto para o sandbox. O que dá para fazer hoje é ter controle local no ponto de conexão.
O STEMIS Grid Control é um EMS embarcado, compatível com inversores de várias marcas, que limita a injeção e coordena geração, bateria e carga a partir da medição no ponto de conexão. O STEMIS Grid Monitor guarda o histórico de potência, alarmes e disponibilidade, útil para mostrar o que a usina fez e quando.
Perguntas frequentes
A ANEEL já aprovou o corte da geração distribuída?
Não. A recomendação da área técnica ainda depende da diretoria da ANEEL, que também vai avaliar a abertura de consulta pública de 45 dias.
Quais distribuidoras estão no sandbox do ONS?
Cemig-D, Copel, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso e Neoenergia Elektro.
Quem tiver a geração cortada recebe compensação?
Pela minuta descrita na imprensa, não. Os participantes não recebem ressarcimento, e o corte ocorre antes da formação de créditos.
O que é a Consulta Pública 033/2026?
É a revisão do Módulo 3 do PRODIST proposta pela ANEEL, com requisitos para recursos energéticos distribuídos. As contribuições vão até 9 de novembro de 2026.
Colocar bateria em uma usina já conectada muda algo?
Pela análise da GreenGold sobre a proposta, a inclusão reabre o parecer de acesso, que passa a seguir a regra vigente no novo protocolo. Confira o texto final antes de decidir.
Quer saber o que sua instalação já consegue controlar hoje? Conheça o STEMIS Grid Control.
Referências
- Portal Energia Limpa: Aneel avalia cortes na geração distribuída e propõe extensão de testes do ONS (04/11/2026)
- Cenário Energia: ONS propõe sandbox com cinco distribuidoras (18/09/2026)
- GreenGold Engenharia: ANEEL abre a revisão do Módulo 3 do PRODIST (13/09/2026)
- ANEEL: Novas regras para preparar a rede para solar, baterias e veículos elétricos

