Onde ainda cabe bateria na rede: o que a nota técnica do LRCAP 2026 mostra

Resposta rápida: em 30 de setembro, ONS, ANEEL e EPE publicaram a NT-ONS DPL 0095/2026, com a capacidade remanescente do SIN para conectar baterias nos leilões de dezembro. Há espaço na rede no agregado, mas a disputa é local: a margem que vale é a mais restritiva entre barramento, subárea e área, e muitos projetos disputam os mesmos pontos.
O que aconteceu
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram a nota técnica com os quantitativos da capacidade remanescente do Sistema Interligado Nacional para conexão de novos sistemas de armazenamento em baterias. O documento cobre pontos na Rede Básica, nas Demais Instalações de Transmissão (DIT) e nas Instalações de Interesse Exclusivo de Centrais de Geração para Conexão Compartilhada (ICG), incluindo conexões indiretas por sistemas de distribuição, no âmbito dos dois LRCAPs de 2026: Armazenamento Nacional (2 de dezembro) e Armazenamento (4 de dezembro), conforme o Cenário Energia e a EPE.
A metodologia já tinha sido apresentada em julho. Ela trata a bateria como um ativo de dois sentidos: injeta potência na descarga e absorve potência da rede na recarga. Por isso, a margem precisa ser viável nos dois regimes, em cenários de carga diferentes. E os limites são avaliados em três níveis sobrepostos (barramento, subárea e área), valendo sempre o mais restritivo, como resume a análise da ePowerBay.
Os números que importam
Três ordens de grandeza ajudam a ler a nota:
- Oferta de rede: cálculo da Absae sobre a nota aponta cerca de 56 GW de capacidade remanescente para baterias no país, segundo a Click Petróleo e Gás.
- Projetos cadastrados: a EPE registrou 6.091 projetos, somando 296,8 GW, na mesma reportagem.
- Necessidade do sistema: a projeção citada pela Absae para 2028 a 2030 fica entre 4,5 GW e 10 GW.
Ou seja: há muito mais projeto do que rede, e muito mais rede do que necessidade. A competição não é por "existir espaço", e sim por estar no ponto certo com o preço certo.
A distribuição também é desigual. Em análise publicada no Canal Solar, o Nordeste concentra cerca de 71% da capacidade cadastrada, e o Sudeste fica perto de 19%, com foco no norte de Minas Gerais. Entre os barramentos com maior margem aparecem Arinos 2 (2.960 MW), Janaúba 3 (2.920 MW) e Jaíba (2.575 MW), no Sudeste, e Queimada Nova II (PI, 2.100 MW) e Bom Jesus da Lapa II (BA, 1.800 MW), no Nordeste.
O exemplo mais didático da mesma análise é Futura 500 kV: o barramento comporta 2.165 MW, mas a subárea limita a margem efetiva a 1.500 MW. Quem olhou só o número do barramento superestimou o espaço disponível em mais de 600 MW.
Por que importa para você
Para desenvolvedores, a nota transforma a escolha do ponto de conexão em decisão competitiva. Se vários projetos cadastrados disputam a mesma subárea, a margem individual de cada um encolhe. O ponto que parecia folgado em julho pode estar congestionado agora.
Para EPCs e projetistas, o impacto está no dimensionamento. Potência de injeção, potência de recarga e energia armazenada precisam caber na margem e no regime de operação exigido. Uma bateria dimensionada só pela descarga pode esbarrar no limite de recarga.
Para investidores, a nota é o insumo para precificar risco locacional. Um projeto em subárea disputada carrega risco de margem reduzida, e isso pesa no lance.
O que fazer com isso
A leitura de engenharia da STEMIS, a partir da experiência com mais de 2,1 GWp de projetos impactados pelas nossas tecnologias, é revisar cinco pontos antes da habilitação:
- Ler a margem nos três níveis. Barramento, subárea e área. O número que vale para o projeto é o menor deles, não o do barramento.
- Mapear a concorrência local. Verificar quantos projetos cadastrados disputam a mesma subárea e quanto eles somam. Margem compartilhada é margem disputada.
- Testar a recarga, não só a descarga. Confirmar que a potência de recarga é viável nos cenários de carga do sistema e na janela de recarga prevista no produto do leilão.
- Redimensionar potência e energia se a margem mudou. Se a margem efetiva ficou abaixo do previsto, reavaliar potência, energia e arranjo, em vez de forçar o projeto original.
- Fechar o conteúdo nacional, se o alvo é o Armazenamento Nacional. A modalidade de 2 de dezembro exige comprovação de conteúdo nacional pelo CFI do BNDES. Explicamos o papel do software do EMS nesse índice em O software do EMS é item estratégico no CFI do BNDES.
O calendário é curto. Segundo o Canal Solar, o resultado da habilitação técnica sai em 17 de novembro e o aporte de garantias vai de 18 a 23 de novembro, antes dos leilões de 2 e 4 de dezembro.
Onde a STEMIS entra
O STEMIS Grid Design permite simular cenários de potência, energia e operação da bateria contra restrições explícitas. Se a margem efetiva da subárea mudou, dá para comparar rapidamente o projeto original com alternativas redimensionadas e ver o efeito na operação e na economia.
Na operação, o STEMIS Grid Control é o EMS que coordena estado de carga, ciclos e despacho, com interface de supervisão para o operador. Para o Armazenamento Nacional, o desenvolvimento nacional do software é o ponto que conversa com o índice de conteúdo local.
Perguntas frequentes
O que é capacidade remanescente para baterias?
É a potência máxima que novos sistemas de armazenamento podem injetar e absorver em um ponto da rede sem violar os critérios de operação do sistema. No LRCAP 2026, ela é calculada para descarga e recarga e avaliada em barramento, subárea e área, valendo o limite mais restritivo.
Onde encontrar a nota técnica NT-ONS DPL 0095/2026?
A nota foi publicada nos portais oficiais do ONS, da EPE e da ANEEL. Na EPE, ela fica na página do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência 2026, junto com os demais documentos do certame.
Se o barramento tem margem, o projeto está garantido?
Não. O barramento pode ter margem alta e a subárea ou a área limitarem a capacidade efetiva. Além disso, outros projetos cadastrados no mesmo conjunto disputam a mesma margem. O número a considerar é o menor dos três níveis, descontada a concorrência.
Quando acontecem os leilões de baterias de 2026?
O LRCAP 2026 – Armazenamento Nacional, com exigência de conteúdo nacional, está marcado para 2 de dezembro de 2026. O LRCAP 2026 – Armazenamento, sem essa exigência, está marcado para 4 de dezembro de 2026.
Precisa testar se o seu BESS cabe na margem da subárea? Simule os cenários no STEMIS Grid Design.
Referências
- Cenário Energia: ONS, ANEEL e EPE publicam nota técnica com capacidade remanescente para baterias (01/10/2026)
- EPE: Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência 2026
- Canal Solar: Onde há espaço para novas baterias no Brasil? (02/10/2026)
- Click Petróleo e Gás: Brasil encontra 56 GW disponíveis na rede para baterias (02/10/2026)
- ePowerBay: Nota técnica do ONS e EPE e a margem de escoamento

