Radar do curtailment: outubro teve 40% menos cortes, e quase toda a queda veio de confiabilidade

Resposta rápida: em outubro de 2026, eólicas e solares deixaram de gerar 3,70 TWh por cortes do ONS, 40% menos que em outubro de 2025. A queda de 2,47 TWh veio quase toda dos cortes por confiabilidade. O corte por razão energética, que não é ressarcido, caiu só 8% e chegou a 76% do total. Na solar, o volume ficou estável, e 94% dos cortes foram por razão energética.
Os números do mês
Nesta edição, a STEMIS calculou os dados direto dos arquivos abertos de restrição do ONS. O método está no fim do texto.
- Total de outubro: 3,70 TWh, ou 22,2% da geração de referência. Em outubro de 2025 foram 6,17 TWh, ou 30,6%.
- Ritmo mensal: 5,6 TWh em agosto, 5,1 TWh em setembro e 3,7 TWh em outubro.
- Acumulado de janeiro a outubro: 32,86 TWh, 8,2% acima dos 30,38 TWh do mesmo período de 2025.
- Dias com mais corte: domingo 4 (302 GWh), domingo 11 (285 GWh), feriado de 12 de outubro (242 GWh) e sábado 10 (214 GWh).
- Horário: 65% do volume ficou entre 8h e 14h.
A queda tem uma causa só
Comparando outubro de 2026 com outubro de 2025, por motivo do corte:
- Confiabilidade (CNF): de 2,94 TWh para 0,47 TWh, queda de 84%.
- Razão energética (ENE): de 3,06 TWh para 2,82 TWh, queda de 8%.
- Indisponibilidade externa (REL): de 0,16 TWh para 0,41 TWh, alta de 158%.
A confiabilidade recuou 2,48 TWh, praticamente o mesmo tamanho da queda total. Os arquivos do ONS mostram o quanto caiu, mas não explicam o motivo, e não vamos supor um.
O que os dados mostram é a mudança de composição. A razão energética respondia por 50% do corte em outubro de 2025 e foi a 76% agora. No acumulado do ano, ela soma 23,07 TWh, 43% acima dos 16,12 TWh de 2025. É o motivo que fica fora do mecanismo de ressarcimento.
Eólica caiu pela metade, solar não
A eólica perdeu 2,35 TWh, 51% menos que em outubro de 2025. O corte caiu junto com a oferta, já que a geração de referência eólica recuou 26%. O Rio Grande do Norte concentrou 1.179 GWh, metade do corte eólico do mês, seguido por Bahia (380 GWh) e Rio Grande do Sul (281 GWh).
A solar perdeu 1,35 TWh, quase igual ao 1,34 TWh de um ano antes. A geração de referência solar cresceu 21% no período, então o peso do corte caiu de 34,3% para 28,6%, mas o volume absoluto não recuou.
O motivo mudou por completo. Na solar, o corte por razão energética subiu de 0,83 TWh para 1,27 TWh, alta de 53%, e chegou a 94% do total. Minas Gerais liderou com 495 GWh, 37% do corte solar do mês, seguida por Bahia (197 GWh), Ceará (159 GWh) e Rio Grande do Norte (154 GWh).
No acumulado do ano, a solar soma 10,98 TWh, alta de 20,5%, contra 21,87 TWh da eólica, alta de 2,9%.
O que isso muda na prática
A leitura de engenharia da STEMIS, com base em mais de 2,1 GWp de projetos impactados pelas nossas tecnologias, tem três pontos.
1. Um mês bom no total pode esconder um mês ruim para a sua usina. Quem tem solar não viu os 40% de queda. Compare seu corte com o da sua fonte e do seu estado, não com o número nacional.
2. O risco sem ressarcimento cresceu. Com a razão energética em 94% do corte solar, a previsão de receita precisa assumir que essa perda fica com o gerador. A REN 1.170 muda como os cortes são repartidos entre as fontes, mas de forma gradual. O acordo de ressarcimento trata do passado, e mostramos como conferir os números da usina.
3. O padrão do calendário ajuda a planejar. Os quatro dias com mais corte foram fim de semana ou feriado. Manutenção programada nesses dias aproveita horas que já seriam cortadas, desde que a usina tenha o histórico para confirmar o próprio padrão.
O que acompanhar em novembro
- Se a confiabilidade continua baixa ou se outubro foi um ponto fora da curva.
- O fim da safra de ventos no Nordeste e o efeito no corte eólico.
- Os leilões de baterias de 2 e 4 de dezembro, que contratam armazenamento para o sistema.
Como calculamos
Usamos os arquivos mensais de restrição de usinas fotovoltaicas e eólicas do ONS, com dados a cada meia hora. Em cada registro com motivo de restrição, o corte é a diferença positiva entre a geração de referência final e a geração verificada. Quando a referência final não existe, usamos a geração de referência.
De janeiro a setembro de 2026, esse método dá 29,16 TWh, perto dos 29,3 TWh que citamos na edição anterior, que usava um cálculo de terceiros. A base de 2025 sai menor, 24,2 TWh contra 25,2 TWh. Por isso, a alta até setembro dá 20,4% aqui e deu 16,3% lá. Compare variações apenas dentro da mesma edição.
Onde a STEMIS entra
O STEMIS SCADA e o STEMIS Grid Monitor registram setpoints, alarmes e disponibilidade com carimbo de tempo. É esse registro que separa, na sua usina, o corte por motivo de rede da perda técnica, e que permite comparar a planta com os dados do ONS mês a mês.
Perguntas frequentes
Quanto foi o curtailment em outubro de 2026?
Eólicas e solares deixaram de gerar 3,70 TWh, ou 22,2% da geração de referência, segundo cálculo da STEMIS com dados abertos do ONS. O volume é 40% menor que o de outubro de 2025.
Por que o curtailment caiu em outubro?
Quase toda a queda veio dos cortes por confiabilidade, que recuaram de 2,94 TWh para 0,47 TWh. Os dados do ONS não informam a causa dessa redução.
O corte da solar também caiu?
Não. A solar perdeu 1,35 TWh, praticamente o mesmo volume de outubro de 2025. O peso sobre a geração de referência caiu porque a referência cresceu 21%.
O que é corte por razão energética?
É o corte feito quando a oferta de energia supera a carga do sistema. Em outubro de 2026, ele respondeu por 76% do total e por 94% do corte solar.
Quer separar corte de rede e perda técnica na sua usina? Conheça o STEMIS SCADA.

