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ArtigoGrid DesignSCADA

Radar do curtailment: cortes somam 29,3 TWh até setembro de 2026

·6 min de leitura
Usina solar em primeiro plano com parque eólico ao fundo.

Resposta rápida: de janeiro a setembro de 2026, eólicas e solares deixaram de gerar 29,3 TWh por cortes do ONS, 16,3% mais que no mesmo período de 2025 e 21,6% da geração de referência. A solar cresce mais rápido (+20,8%), e 69% dos cortes vêm de razão energética, o tipo que não é ressarcido.

Os números do mês

O cálculo é da Click Petróleo e Gás, com dados abertos do ONS lidos em 4 de outubro de 2026. Metodologias diferentes produzem números um pouco diferentes, mas a tendência é a mesma em todas as fontes.

  • Total cortado em 2026: 29,3 TWh de janeiro a setembro, contra 25,2 TWh no mesmo período de 2025 (+16,3%).
  • Peso na geração: 21,6% da geração de referência das usinas analisadas.
  • Comparação anual: 2026 já soma 78,8% de todo o corte de 2025 (37,2 TWh), com três meses ainda pela frente.
  • Últimos meses: 4,4 TWh em julho, 5,6 TWh em agosto e 5,1 TWh em setembro.
  • Recorde diário: domingo, 16 de agosto de 2026, com 399,9 GWh cortados, ou 49,0% da geração de referência do dia.

Solar cresce mais rápido

A eólica ainda responde pela maior parte do volume: 19,67 TWh no ano, alta de 14,2%. A solar somou 9,67 TWh, mas cresceu 20,8%, mais rápido que a eólica.

Na solar, o corte se concentra em Minas Gerais: em setembro, o estado respondeu por 619 GWh, 37,4% do corte solar do mês, seguido pela Bahia, com 250 GWh. Na eólica, o Rio Grande do Norte domina: 1.756 GWh em setembro, metade do corte eólico do mês, e 8,4 TWh no acumulado do ano, 33,6% acima de 2025.

A causa que mais pesa não é ressarcida

O ONS classifica cada corte por motivo, e a divisão em 2026 é clara:

  • Razão energética (ENE): 69% do total, 20,2 TWh. É o corte para controle de frequência quando sobra oferta e falta carga.
  • Confiabilidade (CNF): 19,8%, 5,8 TWh. Quase metade (44,6%) ligada à limitação da linha de 500 kV Açu III – Jaguaruana II.
  • Indisponibilidade externa (REL): 11,2%, 3,3 TWh. Perto de 44% associada ao controle do fluxo Nordeste–Sudeste.

A razão energética vem ganhando peso ano após ano: segundo a ePowerBay, ela respondia por 21% das restrições em 2024, 49% em 2025 e cerca de 67% de janeiro a agosto de 2026.

O que isso muda na prática

A leitura de engenharia da STEMIS, com base em mais de 2,1 GWp de projetos impactados pelas nossas tecnologias, tem quatro pontos.

1. O corte virou estrutural. Quando a maior parte vem de sobreoferta, e não de uma linha específica, nova transmissão não resolve sozinha. O recorde num domingo de agosto mostra o padrão: carga baixa, geração alta, corte alto. Projetos novos precisam modelar corte por hora e por tipo de dia, não um desconto anual fixo.

2. O risco fica com o gerador. Cortes por razão energética ficam fora do mecanismo de ressarcimento. Explicamos o que o acordo cobre e como conferir os números da usina em Acordo do curtailment: como conferir os números da sua usina.

3. Localização virou variável de projeto. Solar no norte de Minas e eólica no Rio Grande do Norte concentram os cortes. E os cortes por confiabilidade se acumulam em ativos específicos de transmissão. Due diligence de ponto de conexão precisa incluir histórico de corte da região.

4. Bateria pode ajudar, mas a conta precisa fechar. Se o corte acontece em horários previsíveis e existe valor para descarregar depois, o armazenamento recupera parte da energia. Se não, melhora a engenharia e piora o retorno. Detalhamos essa conta em Sistemas de armazenamento e curtailment no Brasil e em Curtailment e dimensionamento de projetos.

O que acompanhar em outubro

  • Os dados de outubro, para ver se o ritmo de 5 TWh por mês se mantém.
  • O andamento da apuração do acordo de ressarcimento por ONS e CCEE.
  • Os leilões de baterias de 2 e 4 de dezembro, que contratam armazenamento para o sistema. Veja onde ainda cabe bateria na rede.

Onde a STEMIS entra

O STEMIS Grid Design simula FV, bateria e economia com restrições explícitas, incluindo cenários horários de corte. Em vez de apresentar só a geração anual, o projeto mostra energia exportada, armazenada e perdida e o efeito no payback.

Para usinas em operação, o STEMIS SCADA registra limitações, alarmes e disponibilidade com carimbo de tempo, o que separa corte de rede de perda técnica.

Perguntas frequentes

Quanto curtailment houve em 2026?

De janeiro a setembro de 2026, eólicas e solares deixaram de gerar 29,3 TWh por cortes do ONS, segundo cálculo com dados abertos do operador. O volume é 16,3% maior que o do mesmo período de 2025 e equivale a 21,6% da geração de referência das usinas analisadas.

Quais estados têm mais corte de geração?

Na eólica, o Rio Grande do Norte, com metade do corte eólico de setembro de 2026 e 8,4 TWh no ano. Na solar, Minas Gerais, com 37,4% do corte solar de setembro, seguida pela Bahia.

Por que a maior parte dos cortes é por razão energética?

Porque em muitos horários a oferta de energia supera a carga do sistema, e o ONS precisa reduzir geração para manter a frequência. Em 2026, esse motivo respondeu por 69% do volume cortado, contra 49% em 2025 e 21% em 2024.

O corte por razão energética é ressarcido?

Não pelo acordo de ressarcimento em andamento, que cobre apenas cortes por confiabilidade elétrica e indisponibilidade externa entre setembro de 2023 e novembro de 2025. Para cortes energéticos, o risco segue com o gerador.

Modele corte horário, FV e bateria no mesmo caso financeiro com o STEMIS Grid Design.

Referências