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ArtigoGrid Control

Grid zero precisa homologar? Sim. Veja o passo a passo na distribuidora

·7 min de leitura
Eletricista trabalhando em quadro de medição e controle com medidor de energia.

Resposta rápida: sim. Um sistema grid zero não injeta energia na rede, mas opera em paralelo com ela, e isso exige aprovação da distribuidora. A diferença é que ele é dispensado da análise de inversão de fluxo. Na prática, você pede o orçamento de conexão informando que o sistema é sem injeção e depois aprova o projeto e o estudo de proteção, com um memorial que demonstre como a exportação zero é garantida.

Por que o grid zero precisa de aprovação

"Grid zero", "zero grid", "injeção zero" e "zero export" são nomes para o mesmo arranjo: a geração atende só a carga local, e um controlador impede que a energia passe para a rede. Explicamos como esse controle funciona em Zero export: como controlar a exportação de energia.

O ponto que muita gente perde: sem injeção não quer dizer sem conexão. Os inversores continuam sincronizados com a rede da distribuidora, e isso traz exigências de proteção, como desligar quando a rede cai, e de segurança para quem trabalha nela. Por isso, mesmo sem exportar, o sistema passa pelo processo da distribuidora.

O que muda é a análise de rede. Desde a REN 1.098/2024, a micro e minigeração que não injeta energia está dispensada da análise de inversão de fluxo (art. 73-A da REN 1.000/2021). É por isso que o grid zero virou a saída padrão em alimentadores saturados, como mostramos em Inversão de fluxo: como resolver quando a distribuidora reprova o projeto.

O passo a passo, no exemplo da Cemig

Cada distribuidora tem seu fluxo. A Cemig publicou um manual específico, o Manual de solicitações de Grid Zero, que serve de referência. Na versão de janeiro de 2025, o grid zero passou a ser tratado como processo de micro e minigeração distribuída. Antes, era tratado como processo de carga.

O manual cobre quatro situações: ligação nova com grid zero, carga existente que instala grid zero, GD existente que vira grid zero (aumentando ou não a potência) e alteração de um grid zero existente.

1. Pedir o orçamento de conexão. No Cemig Atende, o pedido é aberto como orçamento de conexão para micro ou minigeração, indicando a intenção de operar sem injeção. No formulário de acesso, os campos específicos do grid zero precisam ser preenchidos (itens 1 e 8.5.1 para microGD, itens 2 e 9.5 para miniGD).

2. Enviar a documentação inicial. Para baixa e média tensão, o manual pede ART ou TRT, diagrama unifilar básico conforme a ND 5.30 ou ND 5.31, certificados dos inversores e módulos, formulário de solicitação de acesso e os documentos do imóvel e do cliente. Os arquivos sobem pelo APR Web.

3. Aprovar o projeto e o estudo de proteção. Depois do orçamento, o responsável técnico pede a análise do projeto elétrico e do coordenograma, assinalando a opção "Grid zero ou Operação em paralelismo permanente". A Cemig envia uma carta orientando o envio dos documentos do projeto de paralelismo permanente sem injeção.

Quando o grid zero vem do estudo (a "Alternativa 6"). Se você pediu conexão com injeção e o estudo identificou inversão de fluxo, o orçamento pode indicar a geração sem injeção como solução. Nesse caso, antes de assinar os contratos, o responsável técnico apresenta:

  • orçamento de conexão assinado com a opção assinalada;
  • certificados e datasheets dos equipamentos;
  • novo diagrama unifilar;
  • termo de anuência;
  • memorial descritivo da configuração que garante a não injeção;
  • projeto ou estudo de proteção conforme as normas da distribuidora;
  • para Grupo A, novo formulário com a demanda contratada para 0 kW, conforme o manual.

O que o controle precisa provar

O documento que mais pesa é o memorial descritivo da não injeção. Ele precisa explicar, de forma verificável:

  • Onde está a medição. O controle de exportação depende de um medidor no ponto de conexão, e não só da leitura dos inversores.
  • Como a potência é limitada. Qual equipamento ajusta a geração, com que tempo de resposta e o que acontece em degraus de carga, como o desligamento de um motor grande.
  • O que acontece em falha. Se o medidor ou a comunicação cair, o sistema precisa ir para uma condição segura, reduzindo ou desligando a geração.
  • Como a bateria entra, se houver. Com BESS, o controlador decide entre carregar a bateria ou limitar os inversores quando sobra geração. Essa lógica precisa estar descrita.

Por que importa para você

Para integradores e EPCs, o grid zero sem processo formal é risco para o cliente e para quem assina a ART. O caminho regular existe e é documentado.

Para indústrias, comércios e agro, o grid zero aprovado permite dimensionar a geração pela carga, mesmo onde a rede não aceita mais injeção. Com bateria, o excedente do meio do dia vira energia para a noite ou para a ponta. A própria Cemig cita o grid zero, com ou sem bateria, como caminho de viabilidade na sua chamada pública de eficiência energética de 2026.

O que fazer com isso

  1. Ler o manual da sua distribuidora. O fluxo da Cemig é um exemplo, mas campos, sistemas e normas técnicas mudam de concessão para concessão.
  2. Decidir cedo se é grid zero. Informar a intenção no primeiro pedido evita refazer o orçamento depois.
  3. Escolher o controlador antes do memorial. O memorial descreve um equipamento e uma lógica reais. Defina medição, comunicação e comportamento em falha antes de escrever.
  4. Testar no comissionamento. Simule degraus de carga e perda de comunicação, e registre que a exportação ficou em zero. Esse registro protege o cliente em qualquer questionamento.

Onde a STEMIS entra

O STEMIS Grid Control é o EMS que executa o grid zero: lê o medidor no ponto de conexão, ajusta a potência dos inversores para manter a exportação no limite e coordena a carga da bateria quando há BESS. A lógica de operação e o comportamento em falha ficam documentados, o que facilita o memorial exigido pela distribuidora.

Antes da obra, o STEMIS Grid Design simula quanto da geração é aproveitada com grid zero puro e quanto a bateria recupera, para dimensionar o sistema pela carga real.

Perguntas frequentes

Grid zero precisa homologar na distribuidora?

Sim. Mesmo sem injetar energia, o sistema opera em paralelo com a rede e precisa passar pelo processo da distribuidora: orçamento de conexão e aprovação do projeto e do estudo de proteção. O que muda é a dispensa da análise de inversão de fluxo.

Inversor grid zero precisa de homologação própria?

Os inversores e módulos precisam ter certificação, que é exigida na documentação do pedido. Mas a aprovação é do sistema conectado, não só do inversor: medição, lógica de não injeção e proteção entram no projeto avaliado pela distribuidora.

Qual a diferença entre grid zero e operação em paralelismo permanente?

No formulário da Cemig, a opção aparece como "Grid zero ou Operação em paralelismo permanente". Os dois termos descrevem um sistema que funciona sincronizado com a rede de forma contínua, sem exportar energia para ela.

Grid zero com bateria muda o processo?

O processo é o mesmo, mas a documentação precisa incluir a bateria: equipamentos, diagrama unifilar e a lógica do controlador para decidir entre carregar o BESS ou limitar a geração quando sobra energia.

Quer o controle de exportação zero com a lógica pronta para o memorial? Conheça o STEMIS Grid Control.

Referências