Grid zero precisa homologar? Sim. Veja o passo a passo na distribuidora

Resposta rápida: sim. Um sistema grid zero não injeta energia na rede, mas opera em paralelo com ela, e isso exige aprovação da distribuidora. A diferença é que ele é dispensado da análise de inversão de fluxo. Na prática, você pede o orçamento de conexão informando que o sistema é sem injeção e depois aprova o projeto e o estudo de proteção, com um memorial que demonstre como a exportação zero é garantida.
Por que o grid zero precisa de aprovação
"Grid zero", "zero grid", "injeção zero" e "zero export" são nomes para o mesmo arranjo: a geração atende só a carga local, e um controlador impede que a energia passe para a rede. Explicamos como esse controle funciona em Zero export: como controlar a exportação de energia.
O ponto que muita gente perde: sem injeção não quer dizer sem conexão. Os inversores continuam sincronizados com a rede da distribuidora, e isso traz exigências de proteção, como desligar quando a rede cai, e de segurança para quem trabalha nela. Por isso, mesmo sem exportar, o sistema passa pelo processo da distribuidora.
O que muda é a análise de rede. Desde a REN 1.098/2024, a micro e minigeração que não injeta energia está dispensada da análise de inversão de fluxo (art. 73-A da REN 1.000/2021). É por isso que o grid zero virou a saída padrão em alimentadores saturados, como mostramos em Inversão de fluxo: como resolver quando a distribuidora reprova o projeto.
O passo a passo, no exemplo da Cemig
Cada distribuidora tem seu fluxo. A Cemig publicou um manual específico, o Manual de solicitações de Grid Zero, que serve de referência. Na versão de janeiro de 2025, o grid zero passou a ser tratado como processo de micro e minigeração distribuída. Antes, era tratado como processo de carga.
O manual cobre quatro situações: ligação nova com grid zero, carga existente que instala grid zero, GD existente que vira grid zero (aumentando ou não a potência) e alteração de um grid zero existente.
1. Pedir o orçamento de conexão. No Cemig Atende, o pedido é aberto como orçamento de conexão para micro ou minigeração, indicando a intenção de operar sem injeção. No formulário de acesso, os campos específicos do grid zero precisam ser preenchidos (itens 1 e 8.5.1 para microGD, itens 2 e 9.5 para miniGD).
2. Enviar a documentação inicial. Para baixa e média tensão, o manual pede ART ou TRT, diagrama unifilar básico conforme a ND 5.30 ou ND 5.31, certificados dos inversores e módulos, formulário de solicitação de acesso e os documentos do imóvel e do cliente. Os arquivos sobem pelo APR Web.
3. Aprovar o projeto e o estudo de proteção. Depois do orçamento, o responsável técnico pede a análise do projeto elétrico e do coordenograma, assinalando a opção "Grid zero ou Operação em paralelismo permanente". A Cemig envia uma carta orientando o envio dos documentos do projeto de paralelismo permanente sem injeção.
Quando o grid zero vem do estudo (a "Alternativa 6"). Se você pediu conexão com injeção e o estudo identificou inversão de fluxo, o orçamento pode indicar a geração sem injeção como solução. Nesse caso, antes de assinar os contratos, o responsável técnico apresenta:
- orçamento de conexão assinado com a opção assinalada;
- certificados e datasheets dos equipamentos;
- novo diagrama unifilar;
- termo de anuência;
- memorial descritivo da configuração que garante a não injeção;
- projeto ou estudo de proteção conforme as normas da distribuidora;
- para Grupo A, novo formulário com a demanda contratada para 0 kW, conforme o manual.
O que o controle precisa provar
O documento que mais pesa é o memorial descritivo da não injeção. Ele precisa explicar, de forma verificável:
- Onde está a medição. O controle de exportação depende de um medidor no ponto de conexão, e não só da leitura dos inversores.
- Como a potência é limitada. Qual equipamento ajusta a geração, com que tempo de resposta e o que acontece em degraus de carga, como o desligamento de um motor grande.
- O que acontece em falha. Se o medidor ou a comunicação cair, o sistema precisa ir para uma condição segura, reduzindo ou desligando a geração.
- Como a bateria entra, se houver. Com BESS, o controlador decide entre carregar a bateria ou limitar os inversores quando sobra geração. Essa lógica precisa estar descrita.
Por que importa para você
Para integradores e EPCs, o grid zero sem processo formal é risco para o cliente e para quem assina a ART. O caminho regular existe e é documentado.
Para indústrias, comércios e agro, o grid zero aprovado permite dimensionar a geração pela carga, mesmo onde a rede não aceita mais injeção. Com bateria, o excedente do meio do dia vira energia para a noite ou para a ponta. A própria Cemig cita o grid zero, com ou sem bateria, como caminho de viabilidade na sua chamada pública de eficiência energética de 2026.
O que fazer com isso
- Ler o manual da sua distribuidora. O fluxo da Cemig é um exemplo, mas campos, sistemas e normas técnicas mudam de concessão para concessão.
- Decidir cedo se é grid zero. Informar a intenção no primeiro pedido evita refazer o orçamento depois.
- Escolher o controlador antes do memorial. O memorial descreve um equipamento e uma lógica reais. Defina medição, comunicação e comportamento em falha antes de escrever.
- Testar no comissionamento. Simule degraus de carga e perda de comunicação, e registre que a exportação ficou em zero. Esse registro protege o cliente em qualquer questionamento.
Onde a STEMIS entra
O STEMIS Grid Control é o EMS que executa o grid zero: lê o medidor no ponto de conexão, ajusta a potência dos inversores para manter a exportação no limite e coordena a carga da bateria quando há BESS. A lógica de operação e o comportamento em falha ficam documentados, o que facilita o memorial exigido pela distribuidora.
Antes da obra, o STEMIS Grid Design simula quanto da geração é aproveitada com grid zero puro e quanto a bateria recupera, para dimensionar o sistema pela carga real.
Perguntas frequentes
Grid zero precisa homologar na distribuidora?
Sim. Mesmo sem injetar energia, o sistema opera em paralelo com a rede e precisa passar pelo processo da distribuidora: orçamento de conexão e aprovação do projeto e do estudo de proteção. O que muda é a dispensa da análise de inversão de fluxo.
Inversor grid zero precisa de homologação própria?
Os inversores e módulos precisam ter certificação, que é exigida na documentação do pedido. Mas a aprovação é do sistema conectado, não só do inversor: medição, lógica de não injeção e proteção entram no projeto avaliado pela distribuidora.
Qual a diferença entre grid zero e operação em paralelismo permanente?
No formulário da Cemig, a opção aparece como "Grid zero ou Operação em paralelismo permanente". Os dois termos descrevem um sistema que funciona sincronizado com a rede de forma contínua, sem exportar energia para ela.
Grid zero com bateria muda o processo?
O processo é o mesmo, mas a documentação precisa incluir a bateria: equipamentos, diagrama unifilar e a lógica do controlador para decidir entre carregar o BESS ou limitar a geração quando sobra energia.
Quer o controle de exportação zero com a lógica pronta para o memorial? Conheça o STEMIS Grid Control.

