< Voltar para o Blog
ArtigoGrid Design

Horário reservado de energia: como o load shifting reduz custos na irrigação

·9 min de leitura
Sistema de irrigação agrícola operando ao entardecer ao lado de painéis solares e de um sistema de armazenamento em baterias.

Horário reservado de energia: como o load shifting reduz custos na irrigação

O horário reservado pode reduzir significativamente o custo da energia utilizada em irrigação e aquicultura. Quando a operação é combinada com geração fotovoltaica e armazenamento em baterias, esse benefício evolui para uma estratégia completa de load shifting: consumir, armazenar e entregar energia nos horários de maior valor econômico.

O que é o horário reservado de energia?

O horário reservado é uma janela diária de até 8 horas e 30 minutos em que consumidores rurais elegíveis podem receber desconto sobre a energia destinada às atividades de irrigação e aquicultura.

O benefício tem fundamento no art. 25 da Lei nº 10.438/2002, com redação atualizada pela Lei nº 15.235/2025, e é regulamentado pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021.

Isso não significa que toda a conta de energia fica mais barata. O desconto incide sobre a TUSD e a TE relacionadas ao consumo elegível, registrado por medição específica e realizado dentro das condições formalizadas com a distribuidora.

Os percentuais dependem da região e do grupo tarifário:

  • Nordeste e municípios de Minas Gerais abrangidos pelo Polígono das Secas ou pelo Vale do Jequitinhonha: 73% para o Grupo B e 90% para o Grupo A.
  • Norte, Centro-Oeste e demais áreas de Minas Gerais: 67% para o Grupo B e 80% para o Grupo A.
  • Demais regiões: 60% para o Grupo B e 70% para o Grupo A.

O que mudou em 2026?

A Portaria Normativa MME nº 137/2026 ampliou a flexibilidade operacional do benefício.

A janela pode totalizar até 8h30 entre 21h30 e 17h do dia seguinte, de forma contínua ou dividida em até três períodos. A programação também pode variar conforme a época do ano, desde que seja formalizada com a distribuidora.

Entre 17h e 21h30, o desconto não pode ser aplicado.

Na prática, a mudança permite adequar o funcionamento da irrigação:

  • às condições climáticas;
  • à disponibilidade hídrica;
  • à geração fotovoltaica;
  • às restrições operacionais da propriedade;
  • ao perfil tarifário da unidade consumidora.

A distribuidora deve considerar a preferência do consumidor, desde que os requisitos técnicos, contratuais e de medição sejam atendidos.

Por que o horário reservado é uma forma de load shifting?

Load shifting, ou deslocamento de carga, consiste em transferir o consumo de energia de um período menos vantajoso para outro com menor custo ou maior disponibilidade energética.

No caso da irrigação, isso pode acontecer em duas camadas.

A primeira é operacional: programar bombas e sistemas de irrigação para funcionar durante o horário reservado.

A segunda é energética: usar a geração fotovoltaica diretamente ou armazenar energia em um sistema de baterias, o BESS, para atender a carga no momento mais vantajoso.

O objetivo não é simplesmente instalar uma bateria. É coordenar:

  • a curva de consumo;
  • a geração fotovoltaica;
  • a potência dos inversores;
  • a capacidade útil do BESS;
  • a demanda contratada;
  • as regras tarifárias;
  • as limitações operacionais da irrigação.

Um sistema mal dimensionado pode carregar a bateria no horário errado, aumentar as perdas do ciclo ou criar uma nova ponta de demanda.

O que o gráfico da rede revela?

No cenário simulado no Grid Design, a demanda contratada é de 800 kW. As faixas verdes representam o horário reservado, enquanto as faixas vermelhas indicam o horário de ponta.

A curva mostra que a carga pode ser concentrada na janela economicamente favorável sem ultrapassar o limite contratado.

Rede – Distribuidora
Curva de potência simulada no Grid Design, com horário reservado em verde, ponta em vermelho e demanda contratada de 800 kW.

Esse gráfico oferece uma informação que a estimativa anual isolada não consegue mostrar: como o sistema se comporta hora a hora.

Com ele, é possível avaliar:

  • se o deslocamento da carga é tecnicamente viável;
  • se a bateria suporta a potência exigida;
  • se existe risco de ultrapassagem da demanda;
  • em quais períodos a rede atende a carga;
  • quando o BESS deve carregar e descarregar.

O balanço entre fotovoltaico, carga e bateria

Na simulação analisada, a carga anual é de 3.572 MWh. O sistema fotovoltaico gera 2.157 MWh, distribuídos da seguinte forma:

  • 1.370 MWh atendem diretamente a carga;
  • 280,8 MWh são enviados para a bateria;
  • 506,6 MWh são descartados.

O BESS entrega 509,7 MWh à carga e também recebe 222,2 MWh da rede.

gráficos “Geração FV”, “Carga” e “Bateria”
Balanço anual de energia entre geração fotovoltaica, carga, rede e sistema de armazenamento.

Os números mostram por que a análise precisa ser integrada. O excedente solar pode ser reaproveitado pela bateria, mas a recarga pela rede também pode ser economicamente interessante quando o diferencial tarifário compensa:

  • as perdas de conversão;
  • a eficiência do ciclo;
  • a degradação da bateria;
  • o custo da energia utilizada no carregamento.

Avaliar apenas a quantidade anual de energia não é suficiente. O valor econômico depende de quando cada MWh é gerado, armazenado e consumido.

Quanto o load shifting representa neste cenário?

O resultado econômico estimado pelo Grid Design indica uma economia anual de R$ 1.044.475,48 na fatura de energia.

Dentro da composição apresentada:

  • o valor bruto associado ao load shifting é de R$ 295.022,89 por ano;
  • o carregamento do BESS pela rede custa R$ 24.669,66 por ano.
composição mensal da economia e o custo mensal de energia
Resultado econômico da simulação, com economia mensal por deslocamento de carga e comparação do custo de energia com e sem o sistema.

Esses valores não devem ser simplesmente somados. O load shifting participa da formação do resultado econômico, enquanto o carregamento pela rede representa uma despesa da estratégia.

A leitura correta deve considerar o fluxo de caixa consolidado, incluindo:

  • tarifas aplicáveis;
  • eficiência do BESS;
  • perdas elétricas;
  • degradação das baterias;
  • custos de operação e manutenção;
  • eventual substituição de componentes;
  • cenário de referência utilizado na comparação.

Os valores apresentados pertencem a uma simulação específica e não constituem garantia de economia para outros consumidores.

O que precisa entrar no dimensionamento?

Antes de aprovar um projeto, a análise deve responder a pelo menos cinco perguntas:

  1. Quantas horas por dia a carga precisa operar?
  2. Qual é a flexibilidade real do processo de irrigação?
  3. Qual janela foi formalizada com a distribuidora?
  4. Qual potência e capacidade útil de bateria são necessárias?
  5. A economia permanece positiva após considerar perdas, degradação, manutenção e reposição do BESS?

Também é necessário verificar se a estratégia respeita a demanda contratada. Deslocar muitas cargas para o mesmo período pode reduzir o custo da energia e, ao mesmo tempo, provocar ultrapassagem de demanda.

Onde o Grid Design entra?

O Grid Design transforma essas variáveis em uma simulação horária integrada de geração solar, carga, bateria e rede.

Em vez de apresentar somente um payback médio, a plataforma permite visualizar:

  • quando a bateria carrega e descarrega;
  • quanto da geração solar é consumido diretamente;
  • quanto é armazenado;
  • quanto é descartado;
  • como a demanda se comporta ao longo do dia;
  • como cada decisão afeta a fatura;
  • qual é a contribuição econômica do load shifting.

Para integradores, consultorias e consumidores rurais, isso reduz o risco de aprovar uma solução tecnicamente elegante, mas incompatível com a operação real.

A simulação também fortalece a proposta comercial. O cliente não recebe apenas uma promessa de economia: ele consegue visualizar a curva de potência, o balanço anual de energia e a composição mensal do resultado.

Perguntas frequentes

O desconto vale para qualquer consumidor rural?

Não. O consumidor precisa atender aos critérios regulatórios aplicáveis à irrigação ou à aquicultura, possuir medição adequada e formalizar o horário com a distribuidora.

O horário reservado é igual em todas as propriedades?

Não necessariamente. A regulamentação estabelece os limites da janela, mas a programação deve ser acordada com a distribuidora e pode variar conforme a operação e a época do ano.

Uma bateria é obrigatória?

Não. Muitas cargas podem ser deslocadas apenas com automação e programação operacional.

O BESS se torna especialmente interessante quando existe excedente fotovoltaico, restrição operacional, diferença relevante entre tarifas ou necessidade de controlar a demanda.

O maior desconto sempre representa o melhor projeto?

Não. O resultado depende da interação entre consumo, geração, armazenamento, demanda contratada e custos do sistema. Um desconto elevado não corrige um BESS superdimensionado ou uma estratégia operacional inadequada.

Simule antes de investir

Aproveitar o horário reservado é uma decisão operacional. Capturar todo o valor do load shifting é uma decisão de engenharia.

Com o Grid Design, é possível testar configurações de solar e BESS, comparar cenários e apresentar os resultados técnicos e econômicos antes de investir.

Conheça o Grid Design e transforme dados de consumo em uma proposta mais segura.

Fontes oficiais