Grupo A ou Grupo B: onde solar + baterias gera mais economia

Resposta rápida
A escolha entre grupo A e grupo B muda onde solar + baterias paga mais. No grupo B a economia vem do preço do kWh e da tarifa branca; a bateria brilha em arbitragem de horário. No grupo A entra a demanda contratada: a bateria corta o pico de demanda (peak shaving) e faz arbitragem entre ponta e fora-ponta, o que costuma gerar economia maior por kW instalado.
Grupo A e grupo B não são níveis de consumo; são estruturas de tarifa diferentes. O grupo B (baixa tensão, a maioria do comércio e residências) paga essencialmente por energia consumida, em R$/kWh. O grupo A (média e alta tensão, indústria e grandes comércios) paga por energia e também por demanda — a potência máxima que a unidade puxa da rede, contratada em kW.
Essa diferença define a economia. No grupo B, reduzir kWh é quase tudo. No grupo A, você tem duas contas para atacar: o kWh (com componente de ponta e fora-ponta na tarifa horossazonal) e a demanda contratada, que você paga mesmo sem usar. Uma bateria muda cada uma dessas contas de um jeito.
Quem dimensiona sem separar essas duas lógicas costuma superdimensionar solar onde o ganho está na demanda, ou colocar bateria onde a tarifa não tem spread para pagar o ciclo.
Onde cada estrutura gera economia
Comece pela pergunta certa: o que domina a fatura hoje, energia ou demanda?
- Grupo B convencional — O que você paga: R$/kWh único; Onde solar ajuda: Abate consumo direto; Onde a bateria ajuda: Pouco: sem spread horário
- Grupo B tarifa branca — O que você paga: R$/kWh por posto (ponta/intermediário/fora-ponta); Onde solar ajuda: Abate fora-ponta; Onde a bateria ajuda: Desloca consumo da ponta para fora-ponta
- Grupo A verde — O que você paga: Demanda única + energia ponta/fora-ponta; Onde solar ajuda: Abate energia, sobretudo fora-ponta; Onde a bateria ajuda: Peak shaving + arbitragem ponta/fora-ponta
- Grupo A azul — O que você paga: Demanda ponta + demanda fora-ponta + energia por posto; Onde solar ajuda: Abate energia; Onde a bateria ajuda: Peak shaving na ponta (demanda cara) + arbitragem
Regra de decisão prática: se a demanda pesa mais que ~30% da fatura, a bateria tende a pagar via demanda, não via energia. Nesse caso, cada kW de pico cortado vale mais do que cada kWh deslocado. Se a demanda é irrelevante (grupo B convencional), a bateria só se justifica quando há spread de preço horário — ou seja, tarifa branca com diferença grande entre postos.
Um erro comum: tratar bateria no grupo B convencional como fonte de economia. Sem posto horário e sem demanda, ela não tem de onde tirar retorno — vira custo. Ali, o dinheiro está em solar bem dimensionado e, se fizer sentido, em migrar para a tarifa branca.
Exemplo ilustrativo com números
Use valores de referência (ilustrativos, não tarifa oficial) para ver a lógica.
Consumidor grupo A verde, demanda contratada 300 kW, tarifa de demanda R$ 30/kW·mês, energia ponta R$ 1,20/kWh, energia fora-ponta R$ 0,45/kWh.
- Fatura de demanda: 300 kW × R$ 30 = R$ 9.000/mês, pague usando ou não.
- Pico real observado é 260 kW, mas há três horários por mês em que sobe a 300 kW. Uma bateria de 40 kW / 80 kWh corta esses picos e permite recontratar demanda para 260 kW: 40 kW × R$ 30 = R$ 1.200/mês de economia só na demanda.
- Arbitragem: deslocar 80 kWh/dia da ponta (R$ 1,20) para recarga fora-ponta (R$ 0,45) economiza ~R$ 0,75/kWh × 80 × 22 dias = R$ 1.320/mês.
- Total ~R$ 2.520/mês da mesma bateria, sem contar o solar.
Consumidor grupo B convencional, mesmo porte de consumo, tarifa única R$ 0,85/kWh, sem demanda. A mesma bateria não tem spread horário nem demanda para atacar: a economia com arbitragem é próxima de zero. Aqui o retorno vem do solar abatendo kWh; a bateria só entra se migrar para tarifa branca criar um spread ponta/fora-ponta que pague o ciclo.
Mesma bateria, resultados opostos — porque a estrutura tarifária é outra. É por isso que "vale a pena bateria?" só tem resposta depois de saber o grupo, a modalidade e o perfil de carga.
Onde o Grid Design entra
O Grid Design parte da curva de carga, da fatura e da tarifa reais do cliente para dizer onde está a economia antes de dimensionar qualquer coisa. Ele separa o ganho de energia (solar abatendo kWh) do ganho de demanda (bateria fazendo peak shaving) e do ganho de arbitragem (bateria deslocando consumo entre postos).
Na prática, isso evita os dois erros caros: superdimensionar solar em uma unidade grupo A onde a demanda é o gargalo, e colocar bateria em grupo B convencional sem spread para pagá-la. O resultado sai como cenários com payback, não como intuição.
Para propostas híbridas (PV + BESS), o software modela os cenários financeiros por modalidade tarifária e entrega a sensibilidade — o quanto o payback muda se a demanda, a tarifa ou o perfil de carga mudarem.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre grupo A e grupo B?
Grupo B é baixa tensão e paga a fatura essencialmente por energia consumida (R$/kWh). Grupo A é média/alta tensão e paga por energia e por demanda contratada (kW), com tarifas separadas para ponta e fora-ponta. A diferença não é o tamanho do consumo, e sim a estrutura da tarifa — e é ela que define onde solar e baterias geram economia.
Bateria vale a pena no grupo B?
Depende da modalidade. No grupo B convencional, com tarifa única, a bateria tem pouco de onde tirar retorno, porque não há demanda nem spread de horário. Na tarifa branca, com diferença de preço entre ponta e fora-ponta, a bateria pode deslocar consumo e economizar. A conta precisa comparar o spread horário com o custo do ciclo da bateria.
O que é demanda contratada?
É a potência máxima em kW que a unidade do grupo A contrata da distribuidora e paga todo mês, use ou não. Se o consumo instantâneo ultrapassa a demanda contratada, há cobrança de ultrapassagem. Reduzir o pico com bateria (peak shaving) permite recontratar uma demanda menor e cortar esse custo fixo.
Vale a pena migrar para tarifa branca?
Vale quando o consumo pode ser deslocado para fora dos horários de ponta, ou quando há solar e bateria para fazer esse deslocamento. Se a maior parte do consumo cai justamente na ponta e não há como mover, a tarifa branca pode sair mais cara. A decisão é numérica: comparar a conta atual com a simulada por posto horário.
Simule por classe tarifária e perfil de carga qual arranjo paga mais no Grid Design.

