Chamada pública Cemig 2026: baterias entram no PEE. O que o edital exige do BESS

Resposta rápida: a Cemig abriu em 6 de outubro a Chamada Pública de Projetos de Eficiência Energética 2026, com R$ 150 milhões do PEE/ANEEL, e pela primeira vez aceita sistemas de armazenamento em baterias. Mas a bateria não entra sozinha: ela precisa estar ligada a uma usina fotovoltaica no mesmo projeto, caber na relação custo-benefício e vir com estratégia de operação demonstrada. O prazo para propostas é 6 de novembro.
O que aconteceu
A Cemig Distribuição lançou a Chamada Pública de Projetos (CPP) de Eficiência Energética nº 001/2026, dentro do Programa de Eficiência Energética regulado pela ANEEL. São R$ 150 milhões para clientes conectados à rede da Cemig em Minas Gerais, segundo a pv magazine Brasil e o Diário do Comércio.
A novidade é a entrada dos sistemas de armazenamento de energia (SAE) entre as soluções elegíveis, ao lado de geração solar, iluminação, condicionamento ambiental, motores e refrigeração. A maior fatia do orçamento é industrial:
- Industrial — Recursos: R$ 40 milhões
- Residencial (condomínios) — Recursos: R$ 35 milhões
- Comércio e serviços — Recursos: R$ 25 milhões
- Poder público — Recursos: R$ 15 milhões
- Serviços públicos — Recursos: R$ 15 milhões
- Rural — Recursos: R$ 10 milhões
- Iluminação pública — Recursos: R$ 10 milhões
Cada proposta fica em uma única tipologia e pede entre R$ 300 mil e R$ 9 milhões. Entidades públicas e filantrópicas recebem a fundo perdido. Indústrias, comércio, condomínios e unidades rurais privadas entram por contrato de desempenho: devolvem parte do recurso à Cemig em até cinco anos, com a economia gerada pelo projeto, conforme o regulamento da chamada.
O que o edital exige da bateria
A maior parte da cobertura parou no anúncio. O que decide se um projeto com BESS passa está na Especificação Técnica da chamada, item 5.15. Os pontos principais:
- Bateria só junto com geração. O SAE não é fonte incentivada. Ele precisa estar associado a uma fonte incentivada no mesmo projeto, e é vedado propor a bateria separadamente.
- Fonte incentivada só para cliente cativo. O edital veda propostas com fonte incentivada para clientes livres. Na prática, BESS + solar nesta chamada é um caminho para o consumidor cativo. Quem assinar o acordo e planejar migrar para o mercado livre precisa esperar o fim do projeto.
- Armazenamento compatível com a geração. O armazenamento médio mensal projetado não pode passar a geração média mensal da usina fotovoltaica. A planilha de RCB precisa mostrar o rateio da energia da UFV para a bateria.
- Estratégia de operação demonstrada. A proposta deve descrever carga, descarga, arbitragem, peak shaving ou outra aplicação, com perfil horário, redução de demanda na ponta e memória de cálculo que feche capacidade (kWh), potência (kW), ciclos e ganhos.
- Tecnologia e certificação. Íon-lítio ou equivalente, com chumbo-ácido vetado. Equipamentos com registro no INMETRO quando aplicável e aderentes às normas ABNT citadas, como a NBR 16975, NBR 16976 e NBR IEC 62933-2-1.
- Instalação. Local abrigado, ventilado e de acesso restrito, com bateria sobre base elevada e nivelada, nunca direto no piso. Adequações não reembolsáveis ficam por conta do consumidor.
- Conexão resolvida. O diagnóstico energético precisa explicar como o sistema será viabilizado no orçamento de conexão junto com a usina. O edital cita o grid zero, com ou sem bateria, como alternativa onde há inversão de fluxo.
Para o cálculo de vida útil, a tabela da chamada usa 10 anos para a bateria.
A conta que decide: RCB e pontuação
Toda proposta precisa de relação custo-benefício (RCB) dentro do teto do regulamento:
- 0,75 para projetos a fundo perdido;
- 0,85 para projetos em contrato de desempenho;
- 0,90 para projetos só com fonte incentivada, sem troca de equipamentos.
A RCB também pesa na classificação: são 32 dos 100 pontos. A qualidade do projeto vale 20 pontos, e a estratégia de medição e verificação (M&V) sozinha vale 8. Impacto na economia de energia e na redução de demanda na ponta somam 10, e a contrapartida do proponente vale mais 10.
Isso muda o jeito de dimensionar a bateria. Os custos entram anualizados, com vida útil de 10 anos, e os benefícios precisam ser energéticos e verificáveis. Um BESS grande demais para o perfil da carga piora a RCB. Um BESS sem lógica de operação clara perde pontos de qualidade e de M&V.
Por que importa para você
Para indústrias e comércios cativos em Minas, é uma forma de financiar solar com bateria pagando com a própria economia, em até cinco anos. Faz mais sentido onde a ponta pesa na fatura e a carga tem perfil que a bateria consegue deslocar.
Para ESCOs, integradores e EPCs, a própria Cemig recomenda que proponentes sem experiência procurem uma ESCO. O critério de experiência vale 10 pontos, e a especificação técnica é detalhada. A diferença entre propostas vai estar na qualidade da modelagem.
Para quem já tem solar instalada, atenção: o benefício de ações de eficiência executadas antes não entra na RCB. O ganho precisa estar no mesmo projeto.
O que fazer até 6 de novembro
- Confirmar a elegibilidade. Cliente cativo da Cemig D, adimplente, em uma única tipologia. Cliente livre não pode apresentar fonte incentivada nesta chamada.
- Checar a conexão primeiro. Consulte a disponibilidade da subestação na calculadora da Cemig. Se houver inversão de fluxo, defina se o caminho é grid zero, com ou sem bateria, antes de fechar o projeto.
- Modelar a operação hora a hora. Curva de carga, geração da UFV, energia desviada para a bateria e janela de descarga na ponta. É essa modelagem que sustenta o kWh, o kW e os ciclos que o edital pede.
- Testar a RCB com a planilha oficial. Use as abas UFVCusto/UFVBenef e SAECusto/SAEBenef. Teste mais de um tamanho de bateria: o menor que entrega o benefício costuma ter a melhor RCB.
- Escrever o plano de M&V cedo. São 8 pontos, e a medição define o quanto do benefício será reconhecido depois.
O cronograma oficial prevê pedidos de esclarecimento até 16 de outubro, propostas até 6 de novembro às 23h59 pelo SiSPEE, resultado da análise documental em 3 de dezembro, resultado final em 12 de março de 2027 e assinatura dos contratos em 15 de abril de 2027.
Onde a STEMIS entra
O STEMIS Grid Design simula solar e bateria contra a curva de carga real, testa tamanhos diferentes de BESS e mostra o efeito na energia, na demanda de ponta e na economia. É a base da memória de cálculo que o edital pede e do teste de RCB com tamanhos alternativos.
Depois de aprovado, o STEMIS Grid Control é o EMS que executa a estratégia descrita na proposta (peak shaving, deslocamento de carga, controle de injeção) e registra os dados que alimentam a medição e verificação. Para entender a lógica de corte de demanda, veja Peak shaving com baterias.
Perguntas frequentes
Posso propor só a bateria, sem solar, na chamada da Cemig?
Não. O edital define que o sistema de armazenamento não é fonte incentivada e precisa estar associado a uma fonte incentivada, como a fotovoltaica, no mesmo projeto. É vedado usar o sistema de armazenamento separadamente.
Cliente do mercado livre pode participar com solar e bateria?
Pela especificação técnica, clientes livres não podem apresentar projetos com fontes incentivadas. Eles podem participar com outras ações de eficiência, como troca de equipamentos. A combinação de solar e bateria fica para clientes cativos.
Qual a relação custo-benefício exigida?
No máximo 0,75 para projetos a fundo perdido, 0,85 para projetos em contrato de desempenho e 0,90 para projetos só com fonte incentivada, sem troca de equipamentos. A RCB também responde por 32 dos 100 pontos da classificação.
Como funciona o contrato de desempenho?
Consumidores privados sem fins assistenciais, como indústrias, comércios e condomínios, recebem o recurso e devolvem parte dele à Cemig em até cinco anos. Alguns custos, como diagnóstico, auditoria e contrapartida, não entram na parcela a devolver. Microempresas e empresas de pequeno porte devolvem no mínimo 80% do montante recuperável.
Qual é o prazo para enviar a proposta?
As propostas e os documentos de habilitação devem ser enviados pelo SiSPEE até 6 de novembro de 2026, às 23h59. Pedidos de esclarecimento vão até 16 de outubro.
Quer saber qual tamanho de bateria fecha a RCB do seu projeto? Simule os cenários no STEMIS Grid Design.
Referências
- Cemig: Chamada Pública Programa de Eficiência Energética 2026 (regulamento, especificação técnica e cronograma)
- pv magazine Brasil: Cemig inclui baterias pela primeira vez em chamada de eficiência energética de R$ 150 milhões (13/10/2026)
- Diário do Comércio: Edital destina R$ 150 milhões a projetos de eficiência energética (09/10/2026)
- Cemig: Manual de solicitações de Grid Zero

